A fome é um problema recorrente em muitos países. A escassez de alimentos e recursos afeta a saúde e a economia mundial.
De acordo com pesquisas realizadas em 2021 pela Rede Penssan, Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional, 55,2% dos lares brasileiros vivenciaram um cenário de insegurança alimentar durante o período da pandemia do Covid-19.
Ainda segundo esse estudo, houve um aumento de 54% em relação aos dados de 2018, quando o índice era de 36,7%.
Em relatos levantados pelo Programa Alimentar Mundial da ONU em 2021 descobriu-se que a insegurança alimentar grave chegou a níveis perigosamente altos após a pandemia do Coronavírus.
Atualmente, aproximadamente 45 milhões de pessoas estão passando fome em 43 países do mundo. Em 2019 o número era de 27 milhões de pessoas.
Novo Ensino Médio
Com as mudanças estabelecidas pelo MEC, o Novo Ensino Médio busca preparar os alunos para serem protagonistas de suas vidas e estarem plenamente envolvidos com a sociedade.
Com Itinerários e Eletivas – disciplinas escolhidas pelos próprios alunos – vivenciam e adquirem noções do que é realizado em diversas áreas de trabalho.
Um dos itinerários formativos dessa nova grade curricular é o Projeto de Vida. Com ele, os estudantes desenvolvem e realizam ações que contribuem com a comunidade.
De acordo com o professor Rodrigo, docente responsável por esse projeto, foram planejadas quatro ações sociais em que os alunos devem “colocar a mão na massa” e se envolver com a população.
Projeto de Vida
O trabalho desenvolvido durante o primeiro bimestre foi o “combate à fome”, no qual os alunos arrecadaram doações de alimentos para montar e entregar cestas básicas.
“Teve toda a parte de pesquisa, teve a parte de arrecadação. Aí eles já estavam vivenciando esse problema, eles viram que não é fácil você fazer arrecadação de alimentos para montar as cestas básicas” declarou o professor.
Durante três meses recolheram os itens doados pelas turmas do Ensino Fundamental Anos Finais e Ensino Médio para, em seguida, organizar as caixas e levá-las aos locais definidos: a Casas André Luiz e a Aldeia Filhos Dessa Terra.
Segundo o aluno Felipe Figueira da 2ª série M1 do Ensino Médio, eles começaram procurando as instituições que poderiam receber as doações no município de Guarulhos. “Delas a gente foi filtrando o que a gente mais queria, fomos vendo o objetivo de cada instituição, de que forma essas cestas vão ser distribuídas”, complementa.
Com as pesquisas realizadas, locais definidos e cestas montadas, 26 famílias indígenas receberam as caixas com os alimentos e também foram doadas 30 cestas básicas para a Casas André Luiz.
Educação Socioemocional
O Programa Semente está fortemente alinhado com as ações desenvolvidas durante o Projeto de Vida.
Para o professor Rodrigo, com o Programa é trabalhado com ênfase a questão das emoções.
“Primeiro o Semente trabalha muito o emocional, como você deve se comportar quando não tem aquilo que quer, quando não consegue, pelo menos no momento que quer, algo, quando você recebe um não, quando tem uma pessoa à frente” declara.
E durante o Projeto de Vida, o aluno vivencia tudo o que aprendeu e cresce com essa experiência.
“O Semente trabalha toda esse conteúdo de uma forma lúdica, mas muito conversado. Eles colocam exemplos que eles vêem de fora porque ainda não são adultos, mas no Projeto de Vida amadurecem bastante”, o professor completa.
Desenvolvimento de competências
Além de desenvolverem o socioemocional, os estudantes aprimoram importantes habilidades que são fundamentais para seu crescimento pessoal, como organização, empatia e outras.
Para a aluna Beatriz Delfino da 1ª série M1 do Ensino Médio, a competência que ela mais desenvolveu foi a do trabalho em equipe.
“Aprendi a ouvir cada pessoa, o que eles pensam, que não é tudo no meu tempo, que eu também tenho que entender os outros” fala a estudante.
A liderança também foi uma aptidão muito desenvolvida pelos representantes de cada sala, como foi o caso da aluna Mirela Rossi da 1ª série M2. De acordo com ela, estar a frente do projeto foi difícil pois havia a questão de cobrar os colegas. “É chato você ficar cobrando porque você precisa fazer isso, mas não quer. Está contra a sua vontade e você ainda sai como chato de estar cobrando as pessoas” disse a aluna.
Saber respeitar a linha entre a amizade e a liderança faz parte do crescimento pessoal e é uma experiência da vida adulta.
“Você trabalha com pessoas, às vezes com coordenadores, com diretores de empresas que fora do ambiente de trabalho são seus amigos, mas que ali você deve ter outro comportamento dentro da empresa, ou nesse caso, dentro da escola” explica o educador.
Incentivo e contribuição
Além de contribuir com a sociedade, o projeto movimentou e conscientizou alunos e pais sobre a importância de tais ações.
Segundo Rodrigo, muitas famílias sabem da importância de contribuições sociais porém acabam não conseguindo mostrar isso para os filhos devido a rotina do dia-a-dia.
“Depois desse primeiro projeto, muitos estão falando sobre que outros tipos de ações eles podem fazer na vida particular deles e esse é o intuito” também relata o professor.
O auxílio nessas situações não precisa ser necessariamente financeiro. Para o aluno Junior Moreira da 2ª série M2 ele também pode ser realizado por meio de visitas, atenção, cuidado e principalmente com muita empatia.

Com todas essas experiências uma mensagem em comum foi mandada por todos: aos poucos e com a ajuda de todos, combateremos a fome gradativamente.