Você sabe o que é educação socioemocional? Nós entrevistamos a professora do Programa Semente, Valéria Guardachoni, sobre seu trabalho com esse tema importante para o desenvolvimento social, emocional e educacional de nossos alunos.

Confira a seguir a entrevista pingue-pongue na íntegra e descubra mais sobre o Programa Semente e como ele contribui para a educação de nossos alunos.


Como você começou a trabalhar com o Programa Semente? 

Eu trabalho com o Programa Semente faz 3 anos. É um programa que eu acredito ser essencial para o momento que estamos vivendo e para preparar as crianças e os adolescentes para o futuro.

O socioemocional é como você imaginar o futuro melhor em um mundo melhor para todas as pessoas. Porque ele visa desenvolver a capacidade em nossos alunos, em nossas crianças e adolescentes, de administrar bem seus sentimentos, a alegria, a tristeza, a dor e a raiva que são emoções básicas que fazem parte do ser humano.

Então você imagina um ser humano que tem esse autoconhecimento, que trabalha a empatia nos seus ambientes. Então nós esperamos que o resultado de todo esse trabalho, de toda essa semente plantada na mente, no coração dos nossos alunos serão colhidas no futuro.

Teremos adultos mais conscientes, equilibrados, sabendo se relacionar de uma forma muito mais positiva e isso com certeza será positivo para o mundo. 

De uma forma geral, eu atribuo ao Programa Semente, que é um programa socioemocional de aprendizagem, que é um programa que prepara o indivíduo para um futuro de sucesso. 

Porque consequentemente é isso que você vai colher quando você emana emoções e sentimentos positivos, ligados a empatia,  aprendendo a trabalhar o respeito de uma forma geral, respeito a vida, respeito a natureza, no âmbito geral de vivências.

Qual é o maior desafio que você encontra em trabalhar o socioemocional com o Programa Semente? 

O desafio maior que eu encontro, às vezes de buscar é conseguir colocar a palavra certa. Porque quando você lida com as emoções e você traz à tona alguns questionamentos, o seu aluno chega até você com a confiança e pede ajuda e não é sempre que conseguimos ajudar.

Ou melhor, não é sempre que podemos ajudar e falar alguma coisa para esse aluno porque o que ele tá trazendo foge o ambiente da escola. Está muito ligado a questões familiares.

Então meu maior desafio é encontrar a palavra certa neste momento. 

Como você trabalha o conteúdo do Programa Semente? 

O Programa Semente é bom porque ele te dá além da base do assunto que será discutido, a sequência de como você deve desenvolver, você também tem o apoio de outros materiais, como vídeos.

Eu uso muita música para trabalhar com eles, e aí eles desenvolvem os trabalhos e depois realizam as apresentações. E eles fazem questão de apresentar.

Agora existe algo particular meu, na minha didática no socioemocional eu dou a liberdade deles realizarem ou não, eu não coloco isso como uma obrigação, eu coloco isso como uma boa vontade, como uma satisfação pessoal em fazer.

E você tem algum material complementar? Além do que o Semente oferece? Alguma coisa pessoal sua? 

Sim. Eu sou uma pessoa com quase 60 anos de idade e eu tenho as minhas experiências de vida, como mãe, como professora durante todos esses anos da minha carreira.

Não dá para não usar essa minha experiência, essa minha visão de mundo e essa minha percepção. Então eu uso também sim, se disser que não, é mentira.

E como você acha que tem sido o desempenho de seus alunos durante as aulas do Programa Semente? 

O desempenho foi maravilhoso, é uma realização minha pessoal e profissional. De sentir em cada olhar um brilho iluminado quando eu faço algumas colocações e quando eles acabam por perceber e descobrir a força que eles têm dentro deles.

Você acha que o Programa Semente contribuiu para que eles se abrissem mais e reconhecessem que está tudo bem buscar ajuda?

Os nossos alunos são antes e depois do Programa Semente. Os nossos alunos se apresentam de forma mais madura, reconhecendo, eles sabem que errar é normal, que sentir medo é normal, faz parte do ser humano.

E é assim, quando estou triste eu posso pedir ajuda, quando eu estou com problema posso desabafar, eles se sentem muito acolhidos.

 

 

Como eles desenvolvem todas essas habilidades, todos esses conhecimentos do Programa Semente fora da sala de aula? 

Primeiramente quando eles se deparam com a situação, eu acredito e tenho observado muito a questão do autocontrole. Quando eles dão o feed back pra mim de algumas situações que eles vivenciam.

Nós temos uma fala que diz “vamos falar sobre isso?”, então é nesse momento que eu percebo o quanto eles estão desenvolvendo o autocontrole diante das situações.

Já aconteceu de eles vivenciarem alguma coisa, assistirem alguma coisa e compartilharem com você durante e fora da aula? 

Direto! 

Então, eu tenho até que tomar muito cuidado e me policiar porque alguns querem conversar comigo após a aula, querem meu telefone e eu procuro evitar. Eu não costumo levar para fora da escola, procuro desenvolver o trabalho aqui por uma questão ética.

Mas, eles querem compartilhar sim. Querem compartilhar experiência, querem opinião. 

Acredito que o trabalho que nós estamos desenvolvendo é um trabalho hoje, como falei no início, é essencial. Não dá mais para voltar atrás, o socioemocional e a educação tem que caminhar juntos.

Como funciona a relação dos pais com o Programa Semente? 

Eu tenho alguns depoimentos no chat privado que eu acabo descobrindo que algumas pessoas, pais, avós às vezes param para assistir a aula. Principalmente nessa época da pandemia.

Eu recebi elogios de avós, de mães, “sempre que eu posso eu assisto sua aula”. Então é gratificante, né? 

O reconhecimento da família é muito importante para nós, nós trabalhamos juntos. A educação é uma união de vidas, família, comunidade e escola. 

Como você torna as aulas mais dinâmicas e envolventes? 

O meu diferencial é a música. Eu chego cantando, eu chego transbordando entusiasmo. Que eu acho, sem dúvida, que é uma das maiores forças.

Uma pessoa entusiasmada, que ama o que faz, ela consegue transmitir isso. 

Porque é assim, nós professores vivemos naquela correria. Eu saio daqui e tenho outra atividade, né? 

Eu sempre chego com uma música, e se por acaso eu chegar e ficar quieta eles ficam em silêncio…  

“Prô, o que aconteceu? O que você tem? Prô cadê a música?” Aí eu falo “não, fiquei quieta porque quem escolhe a música hoje são vocês”.

Então eles também tem o direito de escolher a música que eles querem. Eu sempre coloco algumas condições, como a música deve ter uma letra alto astral, nunca, jamais, uma música que vai usar expressões ou palavras que não estão de acordo com o ambiente escolar.

E você também utiliza recursos como séries e filmes? 

Sim, filmes, citações de livros. 

 

 

Qual você mais indica para eles? 

Então, como nós trabalhamos muito a questão da resiliência nos nossos conteúdos, de nunca desistir, superar os obstáculos, saber lidar com nossas emoções, às vezes coloco pequenos trailers do “Em busca da felicidade” com a questão da persistência de acreditar em nossos objetivos.

Alguns motivacionais que eu acabo pegando no YouTube. Eu trabalho também muito com um que é um dos meus favoritos, que eu desenvolvo com todos os meus alunos é o Sawabona Shikoba.

É um pequeno vídeo de um ritual de uma tribo africana, que quando um adulto ou uma criança comete um erro, ao invés de ser castigado, ele é colocado em uma roda com seus familiares e ele ouve a canção de quando ele era bebê para que ele possa se lembrar do quanto ele é bom.

E quanto a internet? Ela oferece muitas coisas boas, mas também é fonte de muitas coisas ruins, principalmente nos dias de hoje. Como o programa lida com esse tema?

Não sei se você está adivinhando as minhas ideias. Mas, como educadora, eu tenho uma preocupação muito grande a respeito disso.

Essa semana mesmo eu passei um vídeo pra eles de uma garota que faz um escândalo no avião porque ela tem que desligar o celular por medidas de segurança e a mãe tira o celular dela. Parece que o avião está caindo e ela incomoda todos os passageiros.

Nós temos que trabalhar muito isso nos nossos adolescentes, não tem como não usar o celular, não tem como não usar a tecnologia. Daqui pra frente a nossa maior ferramenta é a tecnologia e temos que ampliar nossa mente para isso.

Agora, temos que tomar cuidado com os excessos. Tudo que é em excesso é prejudicial.  

Então, você tem que olhar para o celular e falar “olha aqui, das 8h da noite às 8h da manhã eu mando em mim, você não manda em mim”.

Eu estou fazendo isso. Tem que ter o autocontrole até para você usar também, e olhar para o céu, viver o aqui e o agora, nenhum minuto da sua vida se repete, então você tem que aproveitar e ser feliz.

Como as aulas do Semente contribuem para o aprendizado e desenvolvimento de outras disciplinas? 

É fantástico. O poder de observação em leituras de enunciado, você tem que estar atento. 

Quando você está fazendo algo, você tem que estar 100% no que você está fazendo. 

Controle da ansiedade, na busca do conhecimento e na aplicação desse conhecimento no momento que você tem que realizar uma avaliação.

Lidando com a ansiedade, com a questão do medo de atingir as expectativas. Se não atingiu agora, atinge na recuperação.  

A escola é um lugar fantástico. É o único lugar que você pode recuperar, lá for a você não pode. 

Você acha que todos os professores tem que aprender um pouquinho mais com o Semente? 

Eu tenho que aprender e sou professora, eu como mãe tenho que aprender, eu como avó tenho que aprender, eu como colega tenho que aprender a lidar com as minhas emoções.

Não é todo dia que eu estou legal. Aquele dia que não estou legal, eu vou procurar ficar mais atenta em como vou desenvolver minhas tarefas, controlando meu humor e minha postura.

Então, todos nós. Somos eternos aprendizes.